quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Música de fundo

Mergulho neste ritmo meio frenético de acordes que não decifro, mergulho em águas que desconheço, venho ao cimo de quando em vez, encho os pulmões como uma esponja que afaga o oxigénio no seu interior, volto ao fundo sem conseguir desifrar, pesa-me o corpo, pesam-me os braços, pesam-me as pernas e a alma.
A música deste mergulho dá ritmo as palavras, mas pouco sentido ao que vejo, as profundesas esbatem a som e a luz, pois não revelam os seus muros, a sua imensidão de vazio prolonga este som tornando-o infinito, este som que me trespassa e que depois se afasta de mim, rasga-me em pedaços a carne que tenho vestida. A energia das notas, que não sei quais são, dá um impulso aos restos de coisa quebrada, abrançam-me numa fusão de composto químico em laboratorio.
Deriva a carne que se perdeu para sempre, resta a alma que ainda luta, restam os pulmões que desenho á pressa, resta Ser e não o Ter.

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