Mergulho neste ritmo meio frenético de acordes que não decifro, mergulho em águas que desconheço, venho ao cimo de quando em vez, encho os pulmões como uma esponja que afaga o oxigénio no seu interior, volto ao fundo sem conseguir desifrar, pesa-me o corpo, pesam-me os braços, pesam-me as pernas e a alma.
A música deste mergulho dá ritmo as palavras, mas pouco sentido ao que vejo, as profundesas esbatem a som e a luz, pois não revelam os seus muros, a sua imensidão de vazio prolonga este som tornando-o infinito, este som que me trespassa e que depois se afasta de mim, rasga-me em pedaços a carne que tenho vestida. A energia das notas, que não sei quais são, dá um impulso aos restos de coisa quebrada, abrançam-me numa fusão de composto químico em laboratorio.
Deriva a carne que se perdeu para sempre, resta a alma que ainda luta, restam os pulmões que desenho á pressa, resta Ser e não o Ter.
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