segunda-feira, 27 de julho de 2009

Armadura de Pano

Passo por ruelas mal iluminadas, sempre repletas de nada, um nada que até perturba. Um tal nada que sempre que pode, nos salta ao caminho e nos sopra ao ouvido, quem nunca olhou pra’trás numa situação destas mente com todos os dentes que tem na boca, nega uma das sensações mais estranhas que todos nos já experimentados.
As luzes dos cândeiros da rua afastam-se cada vez mais, sinto uma dificuldade em me concentrar em algo mais do que em mim mesma, a rua que antes era ruela transformou-se em avenida, avenida essa que mais parece ser a trincheira de um vida, de um lado a vida que deixamos para trás e do outro a vida que nos espera sentada nos umbrais de uma qualquer porta que teremos de abrir.
Nos passeios, embrulhados em lixo, vejo restos das vidas dos outros, pedaços de vidas deitados fora. Pela manhã um varredor cumpre a sua tarefa de os remover. Para onde levam eles essas vísceras humanas? Para longe.