quarta-feira, 2 de agosto de 2006

O rei vai nu

Não vemos nada de transcendental que faça do design algo de tão sublime, como o querem pintar às vezes, a não ser, por à prova a criatividade humana. Quanto mais pragmático o quiserem tornar, menos interesse ele terá.
“Mas ele há coisas”, é verdade ou não que uma das histórias que se repete mais na vida é a história do “rei vai nu”, toda a gente está de acordo com tudo até haver alguém que diz o contrário, e então volta tudo ao mesmo, é a um ciclo vicioso onde ninguém parece pensar com a sua própria cabeça. É ou não a vida um constante jogo de interesses e de seduções “inocentes”, boas intenções é certo! (Mas de boas intenções está o inferno cheio.) Poderíamos pintar tudo de cor de rosa, mas o que se passa na realidade é que o design é uma das profissões egoísta, e trabalha tanto em função do seu ego que se esquece que também tem um papel para desempenhar, e esse papel é o papel social, o comunicar coisas com interesse e com pertinência, inovando sempre proactivamente.
É verdade que se lê em todo o lado, que o design trabalha para os outros e em função deles, mas talvez a realidade não seja bem essa que vem nos livros, quem escreve sabe porque escreve, mas nem sempre quem lê interpreta da mesma forma, e a forma como agimos tem muito a ver com a forma como pensamos, e essa sim só pode ser avaliada consoante os estímulos externos, embora nem sempre se estabeleça esta causa efeito.

Tirado a papel químico

O design é um meio de comunicação e de acção, onde se tentam reunir variados campos de saber, nada de novo portanto, todos os profissionais de outros sectores tentam também reunir o maior número de informação possível, ao desempenho das suas funções. Mas ter conhecimento não garante saber utiliza-lo, e será que bastará ao designer ter uma explicação para tudo? E será que o trabalho que ele faz não seria também desempenhado com sucesso por um indivíduo diferente? Será melhor ser um designer com personalidade e cunho pessoal no trabalho? Não serão a maioria dos trabalhos dos designers efémeros? Porque será que todos julgam que o seu trabalho é mais importante do que o dos demais? Será que o designer se preocupa com os outros? Ou os procura apenas em proveito próprio? Porque será que todos os designers desvalorizam os trabalhos dos colegas? Será por falta de afirmação? Porque se confunde até hoje convicções com arrogância? Será que o corpo revela assim tanto acerca de uma pessoa? Ou será só maneira de intimidar os outros, através de um jogo poder onde, somos julgados sem aviso prévio? Porque será que os designers têm tanto medo de serem catalogados como artistas? Não será este um parente próximo do campo das artes? Onde será que se estabelecem as barreiras? Existe ou não esta dupla mural? Anda ou não anda o amor lado a lado com o ódio? Está o mau assim tão longe do bom? Será isto tão claro assim? Anda ou não anda meio mundo a enganar o outro meio? Falaram os livros de coisas completamente desconhecidas? Ou será a vida constantemente tirada a papel químico?